Dólar – quem ganha e quem perde

O Dólar provoca dor de cabeça em muitos, mas também é vista como oportunidade para alguns setores da economia brasileira.
“A alta é péssima para fábricas que dependem muito de insumos importados, varejistas que importam sua mercadoria e empresas e pessoas que têm dívidas em dólar. Isso afeta desde quem viajou para fora e usou o cartão de crédito até a Petrobras, que tem o grosso das dívidas em dólar”.

Por outro lado, o dólar alto beneficia empresas voltadas à exportação. “Setores como o de celulose e de mineração já estão ganhando muito. E investidores estrangeiros podem achar interessante fazer aquisições de empresas brasileiras por causa da perda do valor delas frente ao dólar”.

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Com a alta da moeda, alguns setores da indústria também recebem um pouco de alívio no sufoco provocado pela desaceleração econômica do mercado interno.
O volume de exportações ainda não reflete a vantagem do novo câmbio, mas o índice de rentabilidade das vendas externas de vários setores já apresentou uma melhora sensível. Graças à alta do dólar, as empresas podem baixar seus preços e vender mais para fora.

“O efeito no volume exportado é mais demorado, porque muitas empresas precisam se preparar e reorganizar a produção para o mercado externo.
É mais fácil sentir o impacto na rentabilidade. As exportações industriais ainda continuam baixas, mas os ganhos estão maiores”.

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“A alta do dólar traz um ganho de competitividade para diversos setores brasileiros.
O câmbio permite que os produtores e fabricantes negociem valores melhores e traz algum alívio”.

Apesar do setor de manufaturados ainda apresentar índices gerais de rentabilidade negativos, algumas indústrias começam a reagir com a alta do dólar. A indústria automobilística, que por um lado viu uma queda de 21,4% na venda de veículos no mercado interno, também registrou uma alta 10,5% nas exportações em comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram vendidos 260 mil veículos ao exterior, contra 235,5 mil unidades nos oito primeiros meses de 2014.

Algumas cidades que têm a economia fortemente voltada à exportação também já experimentam vantagens da alta do dólar. São José dos Campos, que produz principalmente aviões e equipamentos aeronáuticos, exportou um total de 286,4 milhões de dólares em agosto deste ano – um aumento de 24,12% em relação ao mesmo mês de 2014, de acordo com o Ministério de Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio.

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E não somente empresas que focam no mercado externo podem ter vantagens com a alta do dólar. Entre os varejistas, a retração da economia brasileira provocou demissões e queda nas vendas. Entretanto, existem casos de redes que viram seus lucros aumentarem por influência da alta do dólar, que tornou algumas empresas mais competitivas em relação a grandes redes que baseiam a maior parte de suas vendas na importação. As Lojas Renner são um exemplo, tendo anunciado recentemente um aumento de 33,5% no lucro do segundo trimestre em comparação ao mesmo período de 2014.

A alta do dólar também está fazendo com que os turistas brasileiros diminuam a procura por destinos fora do país. Em agosto, as despesas dos turistas brasileiros em viagens ao exterior caíram 46,3% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Banco Central divulgados nesta terça-feira.

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O setor hoteleiro vê a queda como uma oportunidade de estimular o turismo interno. Alguns números já mostram que as viagens internas estão ganhando fôlego. De acordo com dados da operadora CVC, a maior do país, os pacotes nacionais representaram 60% do volume de vendas no primeiro semestre de 2014. Nos primeiros meses de 2015, essa proporção subiu para 65%, contra 35% dos pacotes internacionais.

Entre os ganhadores mais evidentes da disparada do dólar estão os produtores de soja. Estimativas apontam que a próxima safra deve ser a maior da história do Brasil, alcançando entre 97,08 milhões e 100,88 milhões de toneladas, uma alta que pode chegar a 5,3% em relação à safra anterior, puxada, sobretudo, pela alta do dólar. O plantio do novo ciclo foi iniciado na semana passada, após o fim do vazio sanitário – período de ausência de plantas vivas nas lavouras para prevenir pragas.

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“A alta do dólar injetou ânimo entre os agricultores. Apesar do aumento do preço dos insumos, que são na maior parte importados e que encareceram em 20%, o saldo é positivo”.

“A soja está cotada ao menor preço em seis anos no mercado internacional, mas a alta do dólar fez com que o preço interno dela saltasse.
Há um ano, a saca de 60 quilos valia 9,38 dólares, com a moeda valendo 2,39 reais. Agora, apesar de a saca valer 8,70 dólares, o câmbio está a 4 reais.
É um ganho de 30%”.

Graças ao aumento do dólar, os três principais Estados produtores – Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso – devem expandir a área plantada mesmo com os temores associados às incertezas sobre a economia da China, o principal comprador da soja brasileira.

No Paraná, a área plantada deve crescer 2% em relação à safra 2014/2015, passando para 5,08 milhões de hectares.
No Mato Grosso e no Rio Grande do Sul, a expansão deve chegar a 2,06% e a 3,14%, respectivamente.

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“Há muita agitação no setor. A soja brasileira ficou bem mais competitiva. Vai dar um ímpeto maior às exportações.
O chinês deve dar preferência à soja brasileira, e não à americana”.

Apesar da alta do dólar ter o poder de beneficiar alguns “ganhadores”, o câmbio só tem o poder de aliviar um pouco a má situação da economia brasileira.
O ganho de competitividade de alguns setores é meramente artificial, e pode simplesmente evaporar com a queda da moeda.

“A alta ajuda vários setores, mas é exatamente um ganho de competitividade.
Há um lado bom: a indústria e outros setores podem ganhar tempo para fazer investimentos e não perder essa nova rentabilidade.
Podemos esperar que essa alta dure um bom tempo. Até lá, são necessárias reformas para aumentar a competitividade brasileira.
Via:DW

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