Gravidez – Mães menos ativas podem ter filhos obesos

Estudo português indica que mães menos ativas na gravidez podem ter filhos obesos

Um estudo realizado pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP) indica que mulheres menos ativas durante a gravidez têm tendência a ter bebês mais pesados, o que pode ser um indicador de obesidade na vida adulta.

A pesquisadora Paula Clara Santos, membro do Centro de Investigação em Atividade Física, Saúde e Lazer (CIAFEL) da FADEUP e uma das responsáveis pelo projeto, disse que “uma mulher grávida deve praticar exercício físico de forma moderada a vigorosa, durante 30 minutos, cinco ou mais vezes por semana” para evitar um excessivo ganho ponderal da mãe durante a gravidez e o excesso de peso do bebê.

O estudo que deu origem a este resultado, intitulado “níveis de atividade física ao longo da gravidez e a sua influência no estado físico e psicológico da mulher, bem como nos parâmetros morfo-funcionais do feto”, dividiu-se em dois períodos, com duas amostras de grávidas.

O primeiro, realizado nos centros de saúde da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), foi constituído por 118 participantes, avaliadas em todos os trimestres, através de questionários para a recolha de dados pessoais, obstétricos e clínicos.

No segundo momento, com auxílio do Hospital São João, avaliaram-se 133 mulheres no primeiro e no segundo trimestre gestacional (10-12 semanas e 20-24 semanas), no período pós-parto – através da acelerometria e de ecografias, que permitiu obter informações sobre os parâmetros morfo-funcionais da criança -, e quando as crianças fizeram dois anos.

Atividade física determinante na prevenção de doenças crônicas

“Sabemos que a atividade física é um fator determinante para prevenir doenças crônicas não transmissíveis, como é o caso da hipertensão, da diabetes e das doenças cardiovasculares”, refere a pesquisadora, também docente na Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto.

A gravidez é um “evento de longa duração que tem consequências durante toda a vida da mulher”e que devia ser encarada como uma oportunidade de alterar os hábitos de atividade física, como se alteram em relação à alimentação, ao tabagismo e ao álcool, acrescenta.

Paula Santos refere ainda que essas mudanças de comportamento deviam ser estimuladas pelos profissionais de saúde, cujas indicações médicas continuam “muito aquém” das normas de orientação clínica recomendadas pelo American College of Sports Medicine (ACSM).

Acredita que o decréscimo da atividade física ao longo da gravidez é provocada “por falta de informação, alguns tabus e ideias pré-concebidas que possam existir em termos culturais” e pela falta de tempo que possa ser dispensado para o exercício.

Este estudo pretende avaliar também a relação entre actividade física e a diabetes gestacional, a hipertensão e o ganho ponderal, a influência da actividade física na auto-estima da mulher e nos níveis de ansiedade e a relação entre actividade/inactividade física materna com os parâmetros morfo-funcionais do feto bem como com o peso, a altura à nascença e o índice de Apgar.

A pesquisa, iniciada em 2010 e financiada pela Fundação para Ciência e Tecnologia (FCT) em 2012, em cerca de 80 mil euros, foi concluída em 2015, estando agora a ser estudados os resultados obtidos nas diferentes variáveis.
Via: sapolifestyle

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