Língua portuguesa, erros e pegadinhas

A língua portuguesa está repleta de peculiaridades, e isto se reflete diretamente nas questões referentes a grafia e ao vocabulário.
É comum errar. Ainda mais no cotidiano da língua portuguesa, onde a pressa a inimiga da perfeição.
No entanto, é necessário saber dosar os erros e torná-los cada vez menos frequentes nos seus textos, sejam redações, artigos, memorandos ou até mesmo quando nos comunicamos verbalmente.

Você sabia?

A leitura é o melhor caminho, enriquece o imaginário e o mais importante é que amplia o vocabulário.
O brasileiro usa um vocabulário de cerca de 2.000 a 3.000 palavras e conhece (não que saiba o que é) cerca de 20.000.
Mas quem lê costumeiramente multiplica esses números por 3 e nesses casos a pessoa se desejar torna-se fluente no meio em que vive.
É serio, pence nisso!

Confira, a seguir, uma lista com esses erros, que são tão comuns, mas que podem ser contornados do seu vocabulário. Confira!

Quero trezentas(os) gramas de presunto, por favor.

Quando nos referimos a quilo, é importante perceber que a palavra “grama” é um submúltiplo de “quilograma”. Muitas vezes nos confundimos ao empregar a palavra. Acontece que o termo “grama”, quando é usado em referência a massa é um substantivo masculino. Portanto, o correto é: “Quero trezentos gramas de presunto, por favor”. É importante lembrar que o mesmo vocábulo também pode se referir à espécie vegetal muito usada em jardins. Nesse sentido, ele é um substantivo feminino: “Por favor, não pise na grama”.

Uma pizza de “mussarela”, por favor

Encontrou algo estranho na frase acima? Não? Acontece que “mussarela” não se escreve assim. Uma das grandes dúvidas da língua portuguesa é como escrever o nome do popular queijo. Apesar do uso comum utilizar os dois ‘s’, a norma culta utiliza o ‘ç’. Mesmo aparecendo em alguns dicionários, a primeira forma não está no vocabulário ortográfico da Academia Brasileira de Letras. Nele, as formas corretas para a palavra são duas: “muçarela” e “mozarela”. Sua pizza nunca mais será a mesma!

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Temos que ficar alerta, ou alertas?

A palavra “alerta” gera bastante confusão quando colocada no plural. A razão é que, assim como muitas palavras no vocabulário português, ela abrange dois sentidos: pode ser um advérbio (ex.: permanecemos alerta) ou um substantivo (ex.: os alertas estão ligados). Ao observar os exemplos dados, repare que, quando advérbio, a palavra não muda sua forma, portanto não vai para o plural. Por isso, o correto é “Temos que ficar alerta”.

Vimos bastantes pessoas conhecidas no museu

É comum que as pessoas utilizem apenas a forma invariável da palavra “bastante” por achar que o termo nunca se flexiona. Essa é mais uma palavra que tem sentidos diferentes: pode ser advérbio ou adjetivo. Advérbios nunca se flexionam, mas adjetivos, sim. Para fazer o tira-teima, substitua a palavra por “muitos/muitas”. Se a frase seguir correta, então “bastante” tem função de adjetivo e deve ser flexionado no plural (bastantes). Ex.: Eles comem bastante/muito — advérbio. Exemplo: Vimos bastantes/muitas pessoas conhecidas no museu — adjetivo.

60% das pessoas fazem algo que outros 30% não fazem

Ao escrever um texto ou frase que contenha porcentagem, muitas vezes não paramos para pensar e avaliar como usar corretamente a palavra que a segue. É importante destacar que “cento” é do gênero masculino e todo artigo ou adjetivo que estiver relacionado a ele deve vir flexionado de acordo. Muitas vezes, o que acontece é que relacionamos a palavra anterior ao complemento. Por exemplo, numa frase como a do título, “60% das pessoas fazem algo que outros 30% não fazem”, o correto é outros. Acontece que são 30 por cento das pessoas, e não 30 pessoas — na primeira oração, o núcleo da expressão é a porcentagem; na segunda, é “pessoas”.

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Trata-se ou Tratam-se de assuntos interessantes?

Na frase acima temos um sujeito indeterminado. A partícula “se” funciona como uma terceira pessoa oculta. Existe uma dificuldade em saber quando colocar o verbo variando de acordo com seu predicado — já que o sujeito não aparece — e quando não colocar. Neste caso, a frase correta começa com “Trata-se”. A questão é simples: existe um sujeito e o verbo concorda com ele. Uma dica é prestar atenção na preposição: toda vez que aparecer alguma, há um complemento, e o verbo não concordará com ele. Outro exemplo: Precisa-se de faxineiras — preposição “de”.

Vende-se ou Vendem-se sapatos?

Toda vez que um verbo estiver na voz passiva, ou seja, que a ação seja praticada pelo predicado (chamado de agente da passiva), deve concordar com ele. Portanto, no título, a forma correta seria: “Vendem-se sapatos”. Para ajudar, coloque o verbo “ser” e veja se ele vai para o plural: sapatos são vendidos. Outros exemplo: “Dão-se aulas de violão”; “Aulas de violão são dadas”. Atenção: nenhum verbo transitivo indireto (que precisa de preposição) pode ir para o particípio. Exemplo: “Precisa-se de faxineiras” — “precisar” é transitivo indireto e, portanto, não se pode dizer “Faxineiras são precisadas”.

Podem utilizar o bebedouro à vontade

A palavra “bebedouro” é a correta, não “bebedor”, como dito por algumas pessoas. O sufixo “dor” se relaciona a quem faz a ação, portanto bebedor é quem bebe, e bebedouro é onde se bebe. É muito comum haver essa troca de sufixos no uso popular. Outros casos semelhantes podem ser citados, como: “babadouro”, em vez de babador; “matadouro”, em vez de matador; “escorregadouro”, em vez de escorregador. Sabia dessas?

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Tinha falo ou falado? Tinha pego ou pegado?

Você talvez já tenha ouvido “tinha falo”, em vez de “tinha falado”, mas essa forma está errada. Muita gente acredita que ela está correto porque outros verbos semelhantes adotam forma parecida. Nesse caso, a forma verbal “falo” só se refere à primeira do singular do presente do indicativo: “eu falo”. No outro caso, “tinha pego” é dado muitas vezes como a expressão correta, mas as duas formas são admitidas na norma culta: “tinha pego” ou “tinha pegado”.

Entregue ou Entregado

O verbo “entregar” é mais um que admite duas formas no particípio – entregue e entregado. O problema aqui é: quando usar cada um? A dica é simples: com os verbos “ter” e “haver” usa-se “entregado”. Já com os verbos “ser” e “estar”, “entregue”. Seguem alguns exemplos: “Gustavo não havia entregado os presentes”; “A menina já tinha entregado o bilhete”; “Novos cartões são entregues todas as manhãs”; “A encomenda está entregue”.

A presidente disse que é na saúde onde estão os melhores médicos

O título apresenta um erro que, muitas vezes, passa despercebido para nós. O pronome relativo “onde” só deve ser utilizado quando se refere a lugares físicos, locais, ou alguma referência de lugar. Por exemplo: A escola onde eu estudei foi reformada. Nesse caso, “onde” se refere a escola, que é um lugar físico. Em situações como a do título, os pronomes relativos que podem ser utilizados são: no qual, na qual, nos quais, nas quais, em que.

Eu negocio ou negoceio? Ela se maquia ou maqueia?

As dúvidas acima são muito comuns. Na hora de falar, muitas vezes sai de qualquer jeito, mas na hora de escrever o bicho pega. Nos dois casos, a primeira forma é a correta. A explicação é a seguinte: verbos que terminam em “iar” são classificados pela norma como regulares, portanto a forma até o ‘i’ permanece. Outros exemplos: premio, crio, aprecio, arrepio, guio, etc. — sempre na primeira pessoa do singular do presente do indicativo. Há cinco exceções a essa regra: Mediar, Ansiar, Remediar, Incendiar e Odiar (lembradas pela sigla MARIO). Quando conjugados, ficam: medeio, anseio, remedeio, incendeio e odeio.

Ela está querendo se aparecer

A frase do título está incorreta, mas é outro erro comum entre os brasileiros. Acontece que o verbo “aparecer” é intransitivo, ou seja, não admite nenhum tipo de complemento. Além disso, ele está dentro da lista dos verbos que jamais podem ser usados com pronomes (“se”). Não podemos aparecer ninguém, nem aparecer a nós mesmo, certo? Portanto a forma correta dessa frase seria: “Ela está querendo aparecer”.

Dever ou Deveres

Muitas pessoas não sabem que os significados dessas duas palavras são diferente. Mas não tem problema, a gente explica: “dever” significa obrigação; “deveres” (sempre no plural) são tarefas. Quando alguém diz: “não fiz o dever de matemática” está usando a palavra errada. O correto seria: “Não fiz os deveres (tarefas) de matemática”. Para entender melhor pense: “dever” (obrigação) se cumpre; “deveres” (tarefas) se fazem. Por exemplo: “O dever de cada estudante é fazer seus deveres escolares”.

Pastelzinhos ou pasteizinhos?

Na hora de colocar o diminutivo -zinho no plural começa a confusão. Mas é muito simples resolver o problema: é só lembrar que a palavra, antes de ir para o diminutivo, deve ir para o plural, e o último “s” deve ser excluído. Vamos fazer passo a passo? Primeiro, coloque no plural: “pastel” vira “pastéis”. Depois, remova o “s”: pastei. E, enfim, acrescente o -zinhos: “pasteizinhos”. Outros exemplos: pãezinhos, limõezinhos, caracoizinhos, aneizinhos.

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É/são meio-dia e meio/meia?

O título acima contém uma pegadinha que aparece em muitas provas de vestibular e concursos. Acontece que, quando vamos informar as horas, costumamos dizer: são x horas e x minutos. Mas tanto para o “meio-dia” quanto para “uma hora”, devemos dizer: é meio dia/é uma hora da tarde; pois o verbo deve concordar em número (plural ou singular) com as horas. Um outro equívoco comum é dizer: meio-dia e meio. O correto seria “meia” porque estamos nos referindo à metade de uma “hora”, que é um substantivo feminino.

A situação está russa ou ruça?

O caso acima é mais um em que falar não é o problema, e sim escrever. Apesar de parecer errada, a palavra “ruça” existe e tem um significado diferente de “russa”. Quando essa segunda palavra aparece, ela nos remete a algo ou alguém originário da Rússia. “Ruça” é o correto para quando queremos dizer que a situação está feia. Já “ruço” seria uma cor pardacenta, escura; e também se refere a algo que está ficando velho.

O encontro agradou a todos

O verbo agradar tem dois significados: fazer carinho, mimar ou corresponder à expectativa, satisfazer. Como diferenciar os dois? É simples: quando o verbo tiver o sentido de fazer carinho, ele será transitivo direto, ou seja, não precisará de preposição. Quando estiver no sentido de satisfazer, será transitivo indireto, ou seja, pedirá preposição. No título, o sentido é de satisfazer. Por isso, está empregada a preposição “a”. No sentido de mimar, temos o exemplo a seguir: “A mãe agrada o filho recém-nascido”. Lembre-se: quem satisfaz alguém, agrada [a essa pessoa]; e quem faz carinho em alguém, agrada [essa pessoa].

Não existe fastasmas, ou existem?

Muitas pessoas confundem o verbo “existir” com o verbo “haver”, que não se flexiona quando tem o sentido de “existir”. Entretanto, o mesmo não vale para o verbo “existir”. Ele é um verbo regular e sempre terá que concordar com o sujeito, mesmo quando não aparecer antes do verbo. Quando tiver dúvida, primeiro identifique o sujeito e reorganize a frase: “Fantasmas não existem”. Portanto, o correto é: “Não existem fantasmas “. No caso do verbo “haver”, ele não varia, pois não há sujeito na frase: “Não há fantasmas por aqui”.

Aonde ou onde

As palavras “aonde” e “onde” geram muita confusão. Mas a pegadinha pode ser resolvida com uma dica simples. Como a palavra “aonde” é a junção da preposição “a” com o advérbio “onde”, e indica direção e movimento. Sempre que tiver dúvida entre usar “onde” e “aonde”, empregue a expressão “a que lugar” e veja se a frase segue gramaticalmente correta. Se não estiver, você deve usar “onde”. Exemplo: “Aonde (A que lugar) ele pretende chegar?”. Já a palavra “onde” aparecerá em frases que indiquem um lugar fixo. Exemplo: “Trabalho onde poucos gostariam de trabalhar”.

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