Neandertais utilizavam aspirina e penicilina

Neandertais

A espécie extinta Homo sapiens neanderthalensis viveu entre Europa, Oriente Médio e Ásia Central por cerca de 300.000 anos, mas desapareceram há, aproximadamente, 40.000 anos.
Ainda não se sabem as causas exatas de sua extinção.
Algumas hipóteses, não excludentes, são epidemias, catástrofes naturais ou o extermínio por outras populações.
O que se sabe é que os neandertais foram assimilados pelos homens modernos, por meio de cruzamentos, e sucedidos pelas populações originárias de África que ocuparam gradativamente a Europa e Ásia a partir de 50.000 anos atrás.
Atualmente, os humanos têm entre 1 a 3% de seu DNA com traços neandertais, exceto pelos africanos, já que a espécie nunca habitou essa região.

Neandertais utilizavam aspirina e penicilina
Neandertais utilizavam aspirina e penicilina
Neandertais utilizavam aspirina e penicilina

Recente análise dos dentes de um neandertal revelou que o indivíduo ingeriu plantas com o efeito da Aspirina e da penicilina, possivelmente para combater uma dor de dente, há, aproximadamente, 48 mil anos atrás.
Os pesquisadores internacionais também descobriram indícios de que os neandertais que habitavam a caverna espanhola de El Sidron não consumiam carnes.

De acordo com o estudo, eles tinham uma alimentação baseada em cogumelos, pinhões e musgo recolhido da floresta. “Certamente, nossas descobertas contrastam marcadamente com a visão simplista de nossos antepassados na imaginação popular”, disse Alan Cooper, da Universidade de Adelaide, na Austrália e um dos autores do estudo.
A pesquisa foi feita com base em análises genéticas do material encontrado no sítio arqueológico e publicada na revista científica Nature.

Foi constatado que um jovem do sexo masculino ingeriu o fungo Penicillium, que tem propriedades antibióticas e hoje é utilizado na produção de penicilina.
Ele também teria mastigado álamo, uma planta que contém ácido salicílico, um dos ingredientes da aspirina.
A descoberta foi feita graças à traços dessas substâncias preservadas no tártaro calcificado nos dentes encontrados.

Sua mandíbula também apresentava danos causados por um possível abscesso – nódulo cheio de pus – e sua placa bacteriana estava impregnada com parasitas intestinais que provocam intensas diarreias.
Com base nessas evidencias, os pesquisadores concluíram que ele “estava bastante doente” e, possivelmente, apresentava uma patogenia gastrointestinal crônica.

Através do sequenciamento do DNA encontrado em outros fósseis da espécie ao redor da Europa, os cientistas identificaram que, diferente do neandertal espanhol, os que viviam na caverna Spy, na Bélgica, tinham uma dieta rica em carnes, consumindo uma espécie extinta de rinocerontes e ovelhas selvagens.
Nesse caso, o espanhol foge do esperado para a espécie, sem evidências de uma dieta carnívora.

Laura Weyrich, da Universidade de Adelaide, na Austrália, e autora líder da publicação, explicou que El Sidron, na época, estava em um ambiente densamente florestado e rico em oferta de alimentos.
Em contraste, os homens de neandertal de Spy viviam em um ambiente semelhante à estepe, por isso é fácil imaginar que tinham como principal fonte de alimento animais grandes e bestiais que vagavam”, disse à AFP.

O grupo de estudo também conseguiu reconstruir, quase que por completo, o genoma mais antigo de uma bactéria oral, a Methanobrevibacter oralis, já identificado.
A placa dentária aprisiona micro-organismos que viviam na boca, além de vírus, fungos e bactérias encontrados no sistema respiratório e gastrointestinal, bem como pedaços de comida presa nos dentes – preservando o DNA por milhares de anos”, afirmou Laura, em comunicado.

A manutenção do material possibilitou aos autores desvendarem o estilo de vida, condições de saúde e hábitos alimentares dessa espécie no continente europeu.
Aparentemente, os homens de neandertal possuíam um bom conhecimento de plantas medicinais e suas propriedades anti-inflamatórias e analgésicas, e parecem ter se automedicado”, afirmou o coautor Alan Cooper.
Em 2012, um estudo publicado na revista Naturwissenschaften já havia dito que a espécie extinta parecia ter usado ervas medicinais, como milefólio e camomila.

Além de descobrir mais sobre a os neandertais, a recente descoberta possibilita o estudo da evolução dos micróbios.

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