Nina Simone – Spiritual song

A voz profunda e quase andrógina de Nina Simone era capaz de preencher o ambiente do chão ao teto.
Genial e trágica assim viveu Nina Simone.
Exilou-se, lutou contra o vício e chegou à redenção final e aceitação crítica renovada nos anos que precederam sua morte, em 2003.

Sinnerman – Nina Simone

Independentemente de ser inovadora ou surtada, Nina Simone vivia nestas duas personalidades, muitas vezes ao mesmo tempo. Ela era, inegavelmente, uma mulher dinâmica em uma época em que era difícil ser uma. Adicione ao caldo a identidade negra a qual relutava e depois defendia, e ela não é só Nina Simone – é um ícone cultural. E mais importante, ela serviu de base para muitas mulheres e negros norte-americanos ao provar que eles poderiam ser brilhantes, mesmo que imperfeitos aos olhos dos outros.

O que mais importa em Nina Simone, é que ela não só era uma musicista genial, mas também uma musicista negra genial.
Para ela, sua própria negritude era saturada e inevitável.
No começo da carreira, antes de sua música tratar de raça pública e explicitamente, ela lutava com sua aparência.
Após alguns trechos de seu diário serem revelados ao público, esta batalha ficou ainda mais clara.

Não posso ser branca e sou o tipo de menina de cor que parece com tudo que os brancos desprezam ou foram ensinados a desprezar.

Se eu fosse um garoto, não importaria tanto, mas sou uma garota e estou diante do público o tempo todo para que possam zombar e me aprovar ou desaprovar.

Por mais que o diário de Nina fosse algo privado, seus shows e canções não eram.
Em meio a uma nuvem de fumaça, o bombardeio a uma igreja que matou quatro crianças negras em Birmingham Alabama em 1963 mudou a vida da cantora para sempre.

Sinnerman, Spiritual song, Nina Simone, negra, legado, soul, musicista, negritude, mulher, ícone cultural, raça, diário, canções, shows, fumaça 1

O que torna o legado de Nina Simone tão desafiador é o período mais obscuro de sua carreira. Após sair dos EUA em 1974, ela foi da Libéria à Suíça e então França, com pequenas paradas entre um país e outro.
Em determinado momento, já quase indigente, ela foi encontrada vagando pelos saguões de um hotel, nua, faca em punho.
Depois, ela atearia fogo em sua casa na França.
Amigos a encontraram em frangalhos e aos poucos ajudaram a reconstruir sua vida e carreira.
A outrora poderosa “Alta Sacerdotisa do Soul” havia chegado ao fundo do poço, mas ao voltar a cantar nos anos posteriores de sua vida, ela recuperou parte daquilo que havia sido perdido.

Ain’t Got No, I Got Life – Nina Simone

Próximo Post

Anterior Post



Top 50


iEXE




9dades
       Copyright 2000-2015 - 9dades