Será que precisamos comer carne?

Um estudo publicado pela revista científica Nature neste ano argumenta que, no processo evolutivo da raça humana, comer carne foi importante para o desenvolvimento do cérebro, até chegarmos no que possuímos hoje.

De acordo com o texto, há cerca de 2,6 milhões de anos que a carne se tornou parte integrante da dieta dos Australopithecus, pois a coleta de frutas e vegetais não provia a quantidade de calorias necessárias para todas as atividades desempenhadas pelo homem primitivo.

Ainda segundo a pesquisa, com a carne era possível obter mais calorias com menor esforço de mastigação, em comparação a vegetais crus.
O consumo acabou se relacionando à formação da mandíbula e dos ossos da cabeça, permitindo também uma maior caixa craniana.

O estudo foi utilizado, em alguns artigos, como argumento para justificar a suposta necessidade do homem para comer carne.
Na ânsia em buscar elementos que possam absolver a indústria da carne vigente na atualidade, alguns escritores acabam esquecendo de elementos fundamentais na discussão.

Veja bem, se há 2,6 milhões de anos era importante comer carne, é compreensível.
Há 2,6 milhões de anos não existia medicina, o homem não era capaz de cozinhar (o que torna os vegetais mais fáceis de serem mastigados e digeridos) e a carne consumida provinha da caça, ou seja, não havia animais sendo criados de forma exploratória exclusivamente para abate.

Isso significa que a quantidade de animais mortos era infinitamente menor, pois não havia uma indústria relacionada a isso, muito menos a facilidade de adquirir um pedaço de carne diretamente de uma prateleira, sem esforço.

Temos carros, controles remotos, aquecimento central, roupas capazes de nos manter aquecidos, elevadores, escadas rolantes, camas, geladeiras etc.
A quantidade de calorias necessárias para nos manter bem durante o dia é muito menor, na medida em que o gasto energético também é muito menor na atualidade.

O fato de termos necessitado da caça para evoluir há milhões de anos não justifica uma indústria voltada para isso na atualidade.
Nossa sociedade desenvolveu uma série de doenças crônicas em função do consumo excessivo de carne, gordura animal e alimentos processados.

Além disso, o meio ambiente também sofre com os gases causadores do efeito estufa liberados pela criação de animal, que também desmata para ampliar suas áreas de pastagem.

A produção de carne em caráter industrial mata mais de 15 mil animais por dia, só no Brasil, algo certamente incomparável ao que era caçado no começo da humanidade.
O próprio texto dos pesquisadores afirma que, admitir que a ingestão de carne foi importante para o desenvolvimento da espécie não serve como justificativa para o aumento desse consumo no século 21.
Via: MSN

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